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jun

Sociocracia: uma nova forma de encarar o meio corporativo

O termo “sociocracia” foi criado por Augusto Comte no século XIX, mas o modelo é super atual e tem sido usado na gestão de diversas organizações. Também chamada de “governança dinâmica”, a sociocracia é uma ferramenta interessante para empresas que buscam ambientes mais democráticos e equipes engajadas no meio corporativo.

Conversamos com Fabiana Maia, fundadora do Espaço Terra Luminous, que adotou a gestão sociocrática como sistema de governança, para entender como o modelo funciona na prática. Segundo a especialista, a sociocracia “é o ponto intermediário entre uma gestão hierárquica e uma autogestão”, integrando todas as pessoas envolvidas de maneira transparente e eficaz.

Confira abaixo alguns dos fundamentos da sociocracia:

Centro vazio de comando e controle

Como estamos falando de um modelo de “governança pelos pares”, o primeiro ponto é criar condições para que as pessoas envolvidas tenham voz na tomada de decisão, esvaziando os tradicionais papéis hierárquicos e colocando os princípios da empresa no centro.

Fabiana explica que “não existe uma diretoria comandando, mas sim um círculo central que se reúne periodicamente para tomar decisões que impactam todos da organização. Esse círculo é formado por coordenadores dos domínios específicos e por seus representantes”.

Equivalência, mas com eficácia

Um dos maiores desafios de integrar todas as partes envolvidas em uma organização é manter a eficácia da gestão. A tendência é que quanto mais pessoas, mais difícil fica a tomada de decisões. Mas fique tranquilo, porque a sociocracia segue alguns padrões para evitar a bagunça.

Segundo Fabiana, os papéis são sempre bem definidos. Uma organização sociocrática é formada por círculos específicos, em que há coordenadores e representantes que são eleitos para funções temporárias.

Reuniões

“Quando tiramos as estruturas de comando e controle de uma organização, passamos a precisar de muitas reuniões. São nelas que a inteligência coletiva é ativada”, explica Fabiana. Há as reuniões de governança, que estipulam políticas, processos e acordos, e as operacionais, que são dos círculos específicos e definem como algo será realizado.

Mas é importante ter cuidado para que as reuniões sejam eficazes. “As reuniões têm um método para funcionar, com base em rodadas, uma pauta super organizada e papéis muito claros, como de guardião do tempo, guardião do registro e facilitador”, conta.

Empirismo

Na gestão sociocrática, nada é definitivo e tudo precisa passar por testes e avaliações. “O mantra da sociocracia é pensar se algo é bom e seguro o suficiente para ser testado”, esclarece Fabiana. “Todas as decisões têm prazo de validade. Tomamos uma decisão sabendo que ela vai ser avaliada pelas pessoas envolvidas, e esse aprimoramento das decisões faz parte do processo [de implementação da sociocracia em empresas e organizações]”, conta a facilitadora.

Decisões por consentimento

Outro fundamento essencial da sociocracia é que todas as decisões tomadas precisam ser consentidas pelas partes envolvidas. “Nós buscamos integrar as objeções a alguma proposta, e sempre valorizamos as objeções porque elas trazem as informações que vêm da inteligência coletiva”, esclarece Fabiana.

Esta é mais uma maneira do modelo sociocrático integrar todos os funcionários de uma empresa. Fabiana conta que “é impressionante o que ganhamos em termos de engajamento. Pessoas que antes ficavam quietas, esperando que a liderança apontasse a direção, hoje expressam suas objeções com muita segurança”.